È desesperador ver as lágrimas caindo. È desesperador tentar ajudar, quem nunca quer ser ajudado, é ainda mais desesperador quando tudo isso vem da pessoa da qual você mais deveria ser amiga, da qual você deveria ser cuidada, a tristeza que acaba comigo sempre vem dela, as minha maiores decepções e maiores magoas, nunca foram as mesmas das meninas normais, os meninos, as minha sempre foram maiores, a minha mãe, não que eu seja a única pessoa no mundo com problemas com a mãe, mais acredito que faço parte da grande minoria que é filha, mais age como mãe, ou que pelo menos tenta!Não há nada pior no mundo, do que ver a sua mãe esperando a morte, sendo 75% saudável, não a nada mais triste no mundo, do que ter mãe viva, com a sensação de que ela já se foi.
Não ha nada mais doloroso no mundo, do que chorar sem ter colo de mãe, não a nada mais doloroso no mundo do que chorar exatamente agora, enquanto escrevo pra aliviar. Passo de 12 meses, 3 meses tendo mãe e 9 meses sem mãe. As vezes penso que quando ela realmente se for, (não eu não desejo isso nunca), talvez eu nem sofra tanto, porque já sofro agora, mas sei que isso é pura hipocrisia da minha parte, vou sofrer mais, porque ai vou sofrer de verdade.
Minha mãe sempre foi amável, sempre, nosso único problema é eu ser filha do meu pai, é eu ser o meu pai. Nunca briguei com a minha mãe por nenhum outro motivo que não fosse algo relativamente algo que envolvesse o meu pai. Acho que tenho medo do amor, exatamente porque o que conheci do amor, foi a doença da minha mãe, e se amar é se torna doente, eu agradeço, porém, dispenso o amor!
Ela me disse a vida toda: Filha, se tiver que escolher entre a razão e a emoção, querida fique com a razão. Depois que cresci, e me tornei fria, sou amável, mais sempre numa pequena medida, criei uma barreira, de medo, admito, puro medo de adoecer, perde a vida, por estar doente de amor, minha mãe esta doente de amor desde dos 16 anos, hoje está pra completar seus 50, e continua cada vez mais doente, tem dias que parece plenamente saúdavel, feliz .. mas nesse mesmo dia, ela adoece se meu telefone toca e digo: Oi pai! A cara dela já muda, a expressão dela muda, a voz dela muda, os pensamentos dela mudam. Tenho medo do amor, mais nem por isso fujo dele, só tenho medo, o que não significa que eu não o deseje, não o queira, mas tenho medo.
Minha mãe sempre deu a vida por mim, depois dos meus 16 anos, ela descobriu que eu fumava maconha, ali o mundo dela acabo(nessa doença dela, eu tenho culpa também), ali ela se perdeu, e me deixou ir, eu só voltei porque quis, as 16 anos eu já fumava, saia e bebia muito, mais do que hoje em dia, com 16 anos eu descobri que qualquer lugar era melhor do que entrar em casa, mais uma hora eu sempre tinha que voltar, na entrada do meu apartamento sempre teve um espelho que fica em frente ao elevador, lembro como hoje, quando eu saia do elevador eu me olhava naquele espelho e dizia: Ok menina, hora de ser feliz! Abria um sorriso que não era meu, não me pertencia, mas entrava ali sempre sorrindo, sempre simpática, sempre feliz, como eu mentia bem! Minha mãe ate hoje diz que o meu dom mentir, esse eu herdei do meu pai, sem duvida. Aos 18 anos, eu continuei a fumar maconha, minha já era triste comigo, já havia magoas desde dos 16 anos, mais era quando eu fumava que eu era feliz (triste ilusão essa), quando eu fumava eu ia ao mundo meu, calmo, silencioso ( minha mãe sempre foi uma mulher de gritar muito, de falar alto, de fazer barulho mesmo) eu sempre gostei do silêncio, de ouvir o barulho do silêncio, sempre gostei da paz que a maconha me trazia, durava uma hora, as vezes mais as vezes menos, mais valia a pena. Meu pai sempre foi mais de conversar, sempre com a voz mais calma, mais nem por isso menos bravo, meu pai só me levantou a mão uma vez, não chegou a bater, só ameaçou, isso bastou por uma magoa de uns 2 anos, e um silêncio dado a ele por quase 2 meses, minha mãe sempre me bateu, de chinelo, de cinto, lembro me uma vez que ela jogou uma vassoura em mim, nossa, minha mãe já me jogou tantas coisas, uma vez as não sei ao certo, talvez 17 anos por ai ... eu fiz uma mala e fui pra minha avó, fiquei la 2 semanas não aguentei a mania do meu pai de ventilador desligado ao dormi, o ronco dele na cama de cima, e o chinelo da minha avó se arrastando naquele chão de madeira do apartamento dela na madrugada enquanto caminhava pra ir ao banheiro, preferi os berros da minha mãe, sempre amei a minha mãe, e ate hoje mesmo com todas as nossas divergências, e acredite não são poucas, daria meus rins, meu fígado, meu coração e se necessário todo o meu sangue pela vida dela, se ela simplesmente me olhasse nos olhos e dissesse: FILHA, EU QUERO VIVER! Hoje dou pouco a ela, mais queria mesmo era dar uma casa a ela, (então começo a chorar de novo, faz parte) hoje ouço dela quase todos os dias, que ela só quer morrer, que a vida é ruim, minha mãe teve muitas oportunidades, já foi muito mais bonita, minha mãe dispenso toda a vida dela, pelo amor do meu pai, por esperar esse amor, meu pai não tem culpa, não sei se ele não a amou, ou se só não soube ama la. Minha mãe ainda ama o meu pai, por isso é doente, ele teve outros homens, talvez homens melhores não sei, melhores no sentido de que alguns deles quisessem dar a ela esse amor, mas ela queria mesmo o do meu pai, esse que não soube dar, esse que ela espera a te hoje! Hoje eu tenho 22 anos, meu pai se divorciou, minha mãe ainda se mata aos poucos, sempre, e eu ainda fico aqui esperando o dia que ela vai me perdoar, pelas minhas escolhas erradas, tortas e certas somente pra mim, fico aqui esperando o dia que ela acorda de bom humor, e me da um pouco de atenção, eu hoje tenho receio em contar coisas pra minha mãe, as vezes tenho ate medo, e fico remoendo palavras certas pra dizer qualquer coisa que seja, tenho sempre medo da reaçao dela, hoje eu moro sozinha, porque se eu e ela ficarmos muito juntas a gente se mata, isso é um fato! Ela me mata, porque vê meu pai em mim, e eu mato ela pra não morrer. Queria que a minha mãe soubesse viver no presente, e aguardasse o futuro, mais ela nunca saiu do passado. Em muitas das atitudes dela, ela aparenta ter ainda seus lindos 16 anos, minha mãe se não fosse mãe seria freira, daquelas que nascem e morrem só fazendo o bem e amando ao extremo Deus, e o próximo, mais ela foi mãe, foi mãe porque queria um elo eterno com esse amor dela, por isso ela me mataria, porque eu trago dor a ela, não é sempre, mais trago!
Não há duvidas só em uma coisa, eu amo essa mulher, que enfrentou meu pai e muitas outras pessoas pra eu estar aqui hoje, queria dar muito a ela, mais ainda não posso, e isso me mata por dentro, porque por fora, eu sou sempre sorriso, não me lembro quem disse essa frase mais é a minha cara: ' Quem me vê sorrindo, não sabe a dor que cabe dentro de mim.'
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